24.10.08
Um Papel Midiático
Pode-se definir como midiático o profissional que trabalha na mídia, mas acima de tudo, que exerce uma influência nela e a usa para comunicar-se com o seu público, como é o caso de jornalistas, publicitários, artistas, celebridades e outras personalidades em destaque no momento, apesar de ser um questionamento meu em se distinguir um artista de uma personalidade ou se determinada pessoa são ambas coisas ou nenhuma destas e, simplesmente tiveram a sorte de estar no local certo, na hora certa e “aparecer” na mídia, embora não represente qualquer importância ou acrescente algo no meio de comunicação e/ou no lugar onde vive.
Qual seria o papel de cada profissional nesse mundo midiático, criado pela televisão, rádio, cinema, e outros meios? O jornalista, por exemplo, tem a função de informar o que acontece no dia-a-dia em qualquer parte do globo terrestre. O publicitário, a função de transmitir também uma mensagem ao público pelo qual se destina, divulgando um produto ou serviço. Já o artista tem a função de passar ao seu público o tipo de trabalho que realiza, podendo ser uma música, novela, filme, entre outras obras, já que a palavra artista é muito ampla e pode ser considerada como alguém que tem a arte ou habilidade em executar algo. Quanto às celebridades, a coisa já fica mais complicada pra entender: um artista pode ser uma celebridade por exemplo. Um jogador, uma modelo, um apresentador de TV, também. E, por aí vai. Personalidade e celebridade às vezes se confundem, pois se entende “personalidade” por personificação ou alguém que simplesmente esteja em destaque, enquanto que a palavra celebridade vem do célebre, do memorável.
Qual a influência que os midiáticos têm nos meios de comunicação? O jornalista, a princípio, não pode manifestar-se como indivíduo (pelo menos é o que geralmente se vê, mantendo-se neutro de tudo, narrando os fatos de forma mais objetiva possível). Quanto ao publicitário, este usa a criatividade que tem para fazer com que o consumidor se atraia por determinado bem de consumo. Já o restante (artistas, personalidades e celebridades) tem uma influência muito maior ou pelo menos mais aceitável na mídia. Nota-se isto através dos diversos comerciais de produtos e marcas feitos por eles, os quais deixam seu nome como uma referência, o que muitas vezes poderia ser considerado como um meio de induzir determinado indivíduo a fazer ou consumir algo.
Contudo, o questionamento não é o fato de artistas venderem sua imagem para criar uma boa imagem sobre determinada coisa (até porque todos precisam trabalhar pra sobreviver e têm liberdade para fazerem o que quiserem, já que a Constituição garante a livre expressão individual por determinada crença, ideologia política, etc.), mas sim pela simples justificativa de jornalistas não “poderem” fazer o mesmo, por se acreditar no mito que só deve dar notícias e não pode opinar, por ser um profissional de influência que tem o poder da palavra, jamais devendo usá-la com subjetividade. Por um lado isso é bom para o repórter: imagine que um profissional da área se diga a favor de determinado político, apoiando-o e “levantando a moral” em suas matérias, e futuramente fosse precisar de uma entrevista com o adversário. Como ficaria a sua situação diante da empresa, se não conseguisse arrancar respostas do adversário, já que este só concederia entrevista aos seus aliados?
Você nunca vai ver/ouvir um jornalista contando uma notícia assim: _Graças a Deus morreu nessa madrugada o chefe do tráfico de drogas da favela tal! Mas, pode ver/ouvir assim: _Morreu nessa madrugada o chefe do tráfico de drogas da favela Tal. O fato de jamais dizer de tal modo não é a única coisa que o priva de sua opinião, até porque precisa ser imparcial com os acontecimentos. No entanto, por não aparecer em comerciais, divulgando produtos ou por não ir a qualquer tipo de programa de TV e falar o que realmente pensa sobre política, sociedade e tantos outros temas importantes que conhece profundamente, já que se atualiza o tempo todo, é uma prova concreta do que se diz aqui. Que diferença há entre um ator/cantor fazer propaganda pra um jornalista, se ambos são midiáticos e de certo modo estão vendendo sua imagem profissional para convencer determinada pessoa a comprar e/ou dar credibilidade a algo?
Apesar de não se ver um repórter/jornalista dizer claramente o que se pensa, é possível observar os pensamentos do mesmo através de conceitos discretos, como a postura ao dar determinada notícia. Se for na TV, isso pode ficar mais visível, pois pode-se ver a sua satisfação ou indignação, ou também, principalmente se for numa mídia impressa, uma comparação entre dois candidatos que disputam um cargo político, mostrando o lado positivo de um e o negativo de outro, sem se voltar ao que este também possa ter de bom a ser conhecido pelos eleitores.
Em algum período ditatorial do século XX, jornais, revistas e outras mídias manifestavam-se claramente contra seus governos autoritários ou então cúmplices desses, no intuito de se fortalecer em seu mercado, cada um ao seu modo. Embora não se veja profissionais destes meios declararem abertamente suas opiniões a respeito de pessoas, política, entre outras coisas, observa-se que os grupos de mídia nos quais fazem parte o fazem. Inclusive, um jornal americano informou em seu veículo estar apoiando determinado candidato à presidência da república. Será que uma empresa que presta serviço à sociedade, de informar, de criar conceitos e tendências poderia manifestar-se tão claramente sobre isso?
Aqui no Brasil, por exemplo, tentou-se criar um órgão fiscalizador da imprensa, sob alegação de não passar falsas informações ou prejudicar a reputação de outras pessoas, também com o pretexto de se preservar assuntos importantes, sigilosos ou de interesses nacional. Como saber se algo deve ou não ficar oculto à população? Será que um escândalo político entraria nessa lista? Se isso de fato acontecesse, jamais se escutaria falar em corrupção novamente no Brasil.
O problema em relação à preservação da informação é a subjetividade de quem a julga, pois não haveria maneira de se classificar o conteúdo de uma notícia antes de ser divulgada, como se faz com um filme e/ou um programa de TV, dizendo se é ou não apropriado para o público de determinada faixa etária. Qualquer que seja o assunto e sua respectiva gravidade é o povo quem deve decidir. O dever moral e cívico dos veículos de comunicação é informar, não podendo se sujeitarem aos interesses de grupos ou tornando-se omissos, a começar consigo mesmos. Mas, se algo dito pela mídia for inverídico, basta que a pessoa e/ou grupo exija retratação, punição e reparação por danos, quaisquer que sejam, como cita a Constituição.
No entanto, a mídia tem fama de ser manipuladora e/ou formadora de opinião. Mas, o que seria a mídia, afinal? Os jornais e revistas? Se for pensar que tais veículos têm a prática de usar as palavras para alguma finalidade, a resposta é sim. Por outro lado, como já foi dito no primeiro parágrafo deste artigo, a mídia também envolve artistas, celebridades e personalidades. Portanto, a imprensa não pode carregar injustamente um peso que não é só dela, apesar de ser a grande responsável por criar outros midiáticos e do nada deixá-los no esquecimento.
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criado por DIego Francisco
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