15.10.08
Brasil que não vai pra frente 2: Política
Uma vez, um professor em sala de aula disse algo muito interessante a respeito da política: “que não se deveria ter orgulho em bater no peito e dizer que a odeia, por ser uma ignorância, pois enquanto uns a odeiam, os que a amam não querem deixá-la”. E, é a mais pura verdade. Pude compreender claramente o que ele quis dizer. Ninguém quer “largar o osso”. Os que estão nesse mundo conseguem facilmente enriquecer-se ou como se diz manjadamente por aí, “enricar”. E, se mais pessoas “gostassem” de política, seria mais fácil controlar os governantes.
Se tem algo de cômico na política, sinceramente ainda não encontrei. Estou a procura. Só o que posso afirmar é que se assemelha a uma teia de aranha, e se você não for o aracnídeo, provavelmente será a sua presa por bem ou por mal, já que uma vez dentro é difícil sair. Não porque haja o simples interesse utópico em se fazer alguma coisa para melhorar o mundo ou o lugar de onde vive, mas o de resolver os problemas de seu próprio mundo, já que mesmo sendo um trabalho, a grana é boa e vem fácil, pois nem todos trabalham diariamente, os salários estão entre os mais altos do mundo em comparação a políticos de outros países, tem 14° e um monte de regalias.
Quando se criou a política foi com a finalidade de organizar um estado para administrá-lo, no entanto, o que se mais vê é muita politicagem. Exemplo: o político fulano de tal tem um projeto de lei a ser aprovado por seus outros colegas. Só que estes querem algo em troca e não aprovam uma lei porque seja boa para o povo que os elegeu, mas por ser a do fulaninho “amigo”, do partido tal, etc.
Em política não existe amigo, mas sim colegas de partido. Os que te apóiam hoje, são os mesmos que falarão mal de você quando forem teus concorrentes. É “cobra engolindo cobra”.
Quais os critérios para se eleger um político?: O cara tem que ser bonito, falar bem, prometer mais do que o outro, não parecer “burro”, mas acima de tudo se “importar” com os problemas do “seu povo” (até o dia das eleições), dizer que vai dar mais bolsa isso e cheque daquilo e ser indicado por outro colega. Não precisa o cara está numa igreja, num time de futebol ou fazer parte de alguma organização que luta em prol de algo que sempre vai continuar como está, até porque se o problema fosse solucionado, não teria mais onde permanecer e nem o que lutar. Deste modo, estaria saindo de cena.
Parece loucura dizer, mas a política pode até matar. Não porque seja uma doença, mas quem tá nela pode ficar doente. De vez em quando aparece nos noticiários algo do tipo: um candidato a vereador, deputado, prefeito ou diabo a quatro foi assassinado. Por que isso? Será que o finado tinha chances de ganhar e precisou ser eliminado pra o concorrente poder ganhar? Bom, em algumas cidades pequenas isso parece ser mais comum, como as covardes tocaias. Há inclusive briga de famílias, porque é uma contra a outra disputando um cargo, e não um candidato versus o outro. Me faz lembrar os Montéquios e os Capuletos, cuja rivalidade fora marcada com um final trágico. Porém nesse caso, alguém morre porque está apaixonado, mas pela política.
Promete-se mundos e fundos, que vai fazer isso e vai fazer aquilo em apenas quatro ano. Acho que nem Deus construiu o mundo tão rápido assim. Mas se o candidato disse que pode fazer tudo isso, quem vai duvidar? Outro dia, escutei alguém se queixando da política, melhor dizendo, dos políticos que prometem e não fazem nada depois que ganham. A mesma pessoa que falava isso, também dizia que deveria ser obrigatório a todo o candidato, registrar em cartório seus compromissos, e caso não os cumprisse, deveria ser punido legalmente por suas falsas promessas. Só que sabemos que será difícil, pois quem é que vai criar uma arma contra si mesmo? Do mesmo modo que são os próprios políticos que votam no aumento dos próprios salários.
Política realmente é uma “dança das cadeiras”. Depois que determinado candidato começa a exercer o seu mandato, é um tal de gente sair, outro tanto entrar, é uma loucura completa. Quem tinha seu carguinho de chefia num órgão público pode dar adeus a ele, pois vai ser do beltrano, coitado, que não foi eleito em nada e não pode ficar na ociosidade, e dos demais colegas de partido. Em geral, tira-se um funcionário realmente concursado, que conhece totalmente a empresa, para se colocar um outro, muitas vezes sem experiência, embora tenha algum título de doutor. No fundo sabemos que quem vai executar os serviços são os verdadeiros funcionários (ou os poucos que realmente trabalham) e o chefe que tem o “QI” alto só vai assinar em baixo e nada mais. Isso não é uma generalização, mas quase. Embora algum destes leiam este texto e justifiquem que se faz necessário colocar pessoas de fora para controlar as de dentro, talvez seja por isso que muitos serviços públicos não melhoram, pois quando se começa algo, logo o interrompe, para seguir as idéias de outro.
Quando um político é acusado de ter praticado um crime, logo se cria uma “CPI” que não quer dizer “Comemos Pizza o dia Inteiro”. Entretanto, não dá em nada. Aliás dá sim: serve para chamar a atenção da mídia pra dizer que se está fazendo alguma coisa. Muitas vezes o político consegue se “safar” de suas safadezas por insuficiência de provas ou quando finalmente se comprova tais acusações, sua punição é simplesmente deixar o cargo e nada mais. Bom, ta ótimo. Pelo menos ele vai ter mais tempo pra gastar o dinheiro que pegou sem avisar dos cofres públicos. A qui no Brasil, o que ainda dá cadeia é não pagar pensão. Fora isso, mas nada.
Não poderia jamais terminar este texto sem falar algo positivo da política, até porque eu não ficaria em paz comigo mesmo: ela gera muitos empregos temporários. Todos ganham e saem felizes. Só com a distribuição de panfletos e exposição de cartazes já garantem alguns meses de aluguel ou umas cestas “base” como se dizem por aí.
Gostou do texto ou acredita que alguém esteja precisando lê-lo? Então, envie-o, colocando o endereço do Blog, a categoria e o título do texto.
criado por DIego Francisco
22:44 — Arquivado em: 






