28.9.08
Até que a Falta de Sexo os Separe
“Eu os declaro marido e mulher. Na alegria e na tristeza. Na saúde e na doença. Até que a morte os separe”. Isso é o que diz um religioso quando abençoa um casamento. No entanto, seu discurso deveria ser outro: “até que a falta de sexo os separe” e não “até a morte”, pois para que um casal se divorcie não é necessário muita coisa. E, com a mesma rapidez que as pessoas têm pra se casarem, elas a tem para romper com seus laços de união ou de um simples compromisso sexual, que talvez seja hoje o atual significado de um matrimônio, já que valores como o amor, a compreensão, o respeito e a paciência pelo(a) parceiro(a) se perdem por qualquer coisa.
Possivelmente, se as entidades do matrimônio admitissem tal teoria em seu discurso, seria uma prova de que o ser humano não tem esperança em mais nada ou então, o aniquilamento de valores que ainda se tentam preservar, para não tornar vulgar a união entre duas pessoas como simples acordo social e financeiro ou uma simples prestação de serviços sexuais, pois não é prostituição, mas uma fusão em que não se tem garantia ou prazo de validade, apenas o risco em estar com uma única pessoa e ser correspondido de vez em quando.
O mundo está evoluindo. Nada é como nos contavam nossos pais e avós. O que está acontecendo com o ser humano? Será que perdeu seus valores ou está simplesmente corrigindo os que estavam errados? Ao que parece, as pessoas estão mudando sua forma de pensar, confundindo-se ou finalmente admitindo que existe algo que passa do humano e que é sobreposto algumas vezes pelo instinto: sua necessidade de sexo, quase que religiosamente. Elas não precisam mais de desculpas pra fazer sexo. Apenas dizem sim e o faz. É profissional? Talvez. É instintivo? Sim. É vaidade? Nunca. É necessidade.
Lá no fundo, sabemos que ninguém procura o outro só por amor, pois se fosse assim, não cobrariam tanto do(a) parceiro(a) essa coisa do rito amor-sexo. Muitas vezes, estar com alguém só seja uma desculpa ou comodismo para não se dar ao trabalho constante de ficar procurando um corpo pra se esfregar. Hoje conhecemos tal prática como o famoso “ficar”. Você fica com alguém, faz o que quiser com este, e se entrega de corpo, mas não de alma, porque esta, provavelmente está perdida por aí, pensando em alguém que está bem longe ou que sequer sabe que você existe. Por isso, casar hoje em dia já pode ser considerado como outra forma de “ficar”, só que reconhecida pela lei na qual a sociedade também é cúmplice, pois não se exige tanto de sentimentos pra isso, apesar de uma ou ambas partes esperarem por isso. Sendo assim, casar também pode ser definido como um ato de se dizer publicamente que se dorme com outra pessoa.
Antigamente, um matrimônio tinha um significado puramente religioso e de formação social. No começo dos tempos, ou seja, quando o homem estava aprendendo a contar seus dias na Terra e um pouco além disso, os pais escolhiam um(a) parceiro(a) para seus filhos (embora continue até hoje em alguns países), porque as sociedades buscavam estabelecer-se através de conceitos como a religião e a política, formando assim suas bases culturais e legais, no intuito de ter uma identidade diante de outros povos.
Não sei quem inventou esse mito de que casamento é só por amor. É lindo isso na teoria, pois na prática fica mais complicado. Não que eu seja contra o matrimônio ou não acredite no amor. Não é isso. Mas é que cada vez mais a história humana tem mostrado essa inverdade. Príncipes e princesas de reinos distantes se casavam, sem olhar sequer o rosto um do outro, mas com um único propósito: manter a linhagem real ou o seu “sangue azul”, embora seja vermelho como o de qualquer plebeu. Pessoas se casam por dinheiro ou também porque são obrigadas por seus familiares, para manterem um nome ou até mesmo essa coisa meio tribal de seguir tradições.
Pouco a pouco, a mulher vai ganhando espaço no mundo no qual também faz parte, e consegue escolher um marido para ela. Apesar de ainda haver lugares onde não a concedem este direito, mesmo a vida sendo unicamente dela.
Em caso de morte do marido, a viúva teria que viver com o cunhado, se fosse solteiro, ou então estar sob os cuidados de algum outro homem da família, pois não se permitia que uma mulher vivesse sozinha (independente). Havia vez em que o marido, antes de morrer, já escolhia um substituto para ficar com sua esposa. Parece loucura, mas parte das coisas dita aqui podem ser encontradas em algum livro do Antigo Testamento. Pelo menos se sabe que sem “homem” ela não ficava.
Para o homem, não é necessário casar, mas para muitas mulheres sim. Sempre foi o sonho de muitas delas, mesmo quando já não poderiam usar mais um vestido branco. Mesmo quando já tinham filhos. Mesmo quando não é mais necessário se casar, para tirar vantagem sobre os bens de um homem. Casar é simplesmente um direito de qualquer pessoa. E, embora haja um grande número de mulheres que querem se casar, há outro que está crescendo cada vez mais e que não buscam um matrimônio, porque querem não ter obrigações como domésticas como lavar e cozinha. Somente desejam um parceiro pra se sentirem desejadas.
Quem se casa acredita também que seu mundo está completo, porque encontrou sua alma gêmea. Isso só acontece, caso a união tenha sido por amor. Porém, nem sempre é como se supõe. A vida dá voltas e mais voltas, e às vezes, mesmo quando se casa, parece que tudo continua no mesmo lugar, que nada mudou, embora não se tenha mais o privilégio em voltar atrás e arrumar tudo como antes ou como deveria ter sido.
Bem, apesar de eu desejar o melhor pra você, sugiro que curta o máximo de teu “amor”, não até que a morte os separe, porque talvez esta demore muito ou então, venha mais depressa do que imagina, e também porque não quero tornar a coisa aqui melancólica. Não gostaria te fazer pensar em algo que ainda não aconteceu. Viva o hoje e curta seu “alguém” até que a falta de sexo os separe, pois esta pode ser suprida por outra pessoa, mas um amor nem sempre, e se possível, às vezes chega atrasado.
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criado por DIego Francisco
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