20.8.08
A Indústria do Joga-fora
Antigamente, quando se queria comprar uma coisa boa era a maior dificuldade, pois além de cara, era mais escassa, por isso só comprava algo de grande valor quem podia mesmo, como por exemplo, um rádio, uma TV, computador e celular então, nem se fala! Mas hoje, dá até pra rir. Por uma ninharia se compra tudo o que quiser, bastando ir numa daquelas lojas a varejo que fazem propagandas o tempo todo na televisão, que divide em parcelas eternas pra você, nem precisando pagar primeiro um carnê pra comprar de novo, simplesmente juntando a dívida nova com a antiga, formando uma verdadeira “bola de neve” (um carro ou uma moto se paga muito mais rápido que isso). Entretanto, tinha-se uma vantagem em comprar as coisas: “eram feitas pra durar”, mas agora, tudo é praticamente descartável, quer porque já foram feitas pra se acabar, quer porque à medida que tudo se evolui, o ontem não serve mais para o mundo de hoje.
Celular: só rico poderia ter e custava uma verdadeira fortuna, já que era de controle estatal e de conta, porém hoje, após as privatizações nos serviços de telecomunicações, tudo se tornou mais fácil pra todo mundo: compra-se um celular por menos de R$ 100,00, enquanto que no passado, isso custaria no mínimo uns R$ 7.000,00. Tem pobre por aí, disputando quantos aparelhos possui ou quem tem o melhor celular, com câmera, bluetooth e um monte de funções que não me importa nenhum pouco, já que procuro apenas um aparelho pra falar. Ainda tem mais: podemos optar pelos planos de conta ou pré-pago, colocando créditos somente quando necessário, com a consciência e o bolso tranqüilo de que não teremos dívida no mês seguinte.
Computador? Até bem pouco tempo atrás, não se imaginava possuí-lo, já que custava bem caro ainda, mas com tantos avanços tecnológicos, o sucesso da Internet, o dólar em baixa, tudo isso contribuiu para que grande parte das pessoas pudesse ter essa ferramenta, que não é mais um luxo, mas sim uma necessidade e nosso instrumento de trabalho, apesar de o usarmos também para o lazer.
Agora todo mundo quer “tirar onda”: câmeras digitais de melhor resolução, qualquer um pode ter um “carrinho”, comprar sapatos e roupas nas lojas mais chiques, etc., desde que inventaram o “são cartão de crédito”, que nos permite parcelar em condições acessíveis ao nosso orçamento (pobre não faz orçamento, se ganha 500, gasta 1000). Pelo menos agora se pode ter, não ficando apenas na ilusão ou na inveja de se querer e não poder.
Queremos ter tudo do bom e do melhor, das melhores marcas, comprando o caro barato, entre diversas coisas. Agora dá pra fazer tudo isso, pois depois que inventaram a prática do quebrou-trocou, não se perde mais tempo em mandar consertar ou continuar com o velho até que se acabe. Com a tecnologia que está cada vez mais evoluída, as pessoas não querem ficar pra trás, já vendem o antigo pra comprar um “melhor”, quando o seu “velhinho”, de apenas uns meses ainda está funcionando perfeitamente, e pior ainda, quando se está ainda pagando por ele. As coisas caem no chão, pufff…, não servem mais. “Se mandar pro conserto, o cara vai querer ‘meter a mão’ e não vale à pena, melhor comprar um novo”. Esse foi um jeito ótimo para fazer a economia crescer, tornando tudo quase que descartável, mas a baixo-custo, porque amanhã se terá de comprar outro produto, e assim o mercado está sempre em constante progresso e você poderá realizar seus sonhos de consumo.
Contudo, além dessa indústria do “novo” evoluir constantemente, há uma outra que cresce linearmente ou paralelamente, a dos recicláveis, pois ao passo que tudo está se tornando tão descartável, esta indústria, que só surgiu graças ao fato de que tudo é frágil, consegue obter lucros, reaproveitando ou transformando o velho no novo, pra não dizer reciclando, assim também, contribuindo para um menor uso dos recursos naturais ou como queira chamar, desenvolvimento sustentável, que é o nome usado atualmente, transformando latas de bebidas ou garrafas pet em matérias-primas novinhas para serem reutilizadas, etc.
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criado por DIego Francisco
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