12.7.08
Seleções da Vida
Se há uma palavra engraçada é essa: seleção. Você a usa pra um monte de coisas: para se referir a um time de futebol, mas principalmente pra fazer escolhas, quer sejam para melhorar o que já se tem, quer sejam para discriminar o que não se quer ter. E, assim é a vida: um breve momento da existência humana, que a todo instante faz seleções, a começar pela natureza, que já nos selecionou para que estivéssemos aqui neste exato momento.
Já antes mesmo de nascermos, a natureza faz uma escolha prévia de quem viverá, ou seja, o espermatozóide mais forte ou pelo menos mais rápido, ao entrar no útero é o campeão, o predestinado e o selecionado pela vida como o mais apto a enfrentar os problemas do cotidiano dos vivos.
Na barriga da mãe, a natureza continua selecionando, desde o sexo do feto, a cor dos cabelos, olhos e da pele, como todo um aparato de coisas que precisamos ter, para nos caracterizarmos ao máximo com quem nos fizeram.
A gente cresce e as seleções continuam: pessoas selecionam quem querem ter como amigos, mas não tem a opção de escolher quem serão os seus inimigos, isto é apenas dado pela vida sem o menor questionamento, sem saber se queremos ou não, talvez do mesmo modo que os amores, pois se pensamos que escolhemos quem queremos ao nosso lado, está enganado(a), porque é ele que nos escolhe, ao selecionar quem deve ou não viver conosco, pois se fosse verdade esse direito de escolher a quem amar, os feios jamais se casariam.
Selecionamos amigos, roupas, entre diversas coisas, mas partes dessas escolhas são feitas a partir de um sentimento de indiferença ou preconceito com o outro e com a realidade.
Pessoas selecionam pessoas pelo modo de agir, falar, mas principalmente por uma questão de afinidade mesmo ou algo em comum, como por exemplo, a condição social, pois isso conta muito, já que todos querem se integrar em algum grupo, selecionando o que supostamente chamaria de uma maçã podre ou ruim para um cesto (círculo de amigos).
Assim também são as coisas: têm bairro de ricos e de pobres; roupas pra quem pode comprar e outras pra quem gostaria de tê-las; tem gente inteligente, mas também quem compensa a sua ausência em algum outro talento; tem gente que escolhe o quê e como quer viver, enquanto há outros que se deixam serem escolhidos por alguém ou algo; tem até gente que não sabe o que escolher, e por isso acaba não sendo selecionado para lugar nenhum, como tem gente que seleciona sem nem saber o quê.
Isso eu acho engraçado: tem carros de ricos e de pobres; lugares pra quem realmente pode gastar, e para aqueles que contam até quanto podem gastar. Por que tantas diferenças, por exemplo, entre um restaurante de rico e outro de pobre? Alguém já se fez essa pergunta? O mesmo prato que é servido num restaurante “cinco estrelas” também é vendido noutro de classe econômica. A principal diferença é escolha de seu público alvo, já que, quem vai a algum lugar necessita se sentir integrado em um círculo. Imagine, se num restaurante classe A tivesse um cliente comendo de boca cheia ou gritando pelo garçom! Só não diga que um restaurante é melhor que outro, só pelo fato de ter garçons mais educados, pois o mesmo indivíduo que trabalha num lugar caro, depois, quando estiver desempregado, poderá ir para um mais barato e vice-versa. Muitas vezes, a refeição servida num simples restaurante é até mais gostosa do que outro bem mais caro. Na verdade, o que se paga é a qualidade que um tão barato talvez não tenha, como um excelente atendimento, comodidade, ambiente, etc., além do olho gordo do dono em lucrar mais. A verdade é que é o cliente quem faz o seu lugar.
Quem disse que uma roupa é melhor do que a outra só por causa do preço? A qualidade do material não conta? Acho que você pode estar comprando status por qualidade. A mesma roupa que você compra numa feirinha pode ser a mesma de um shopping: o mesmo tecido. Só muda que um tem nome e outro se chama “de todos e de ninguém”, e claro, você não paga impostos e contribui com o desemprego, aumentado pela pirataria.
É isso o que fazemos o tempo todo: selecionamos nossos caminhos, as respostas que daremos à vida e o que diremos a nós mesmos. Mas, acima de tudo, selecionamos o que realmente nos agrade e atrai de tudo aquilo que não gostamos e/ou não queremos.
Podemos selecionar amigos, valores, os convidados para uma festa e algumas vezes, até os(as) amantes. Só não é possível eleger os pais que se gostaria de ter, mas somos capazes de decidir o que é bom ou não para os nossos filhos.
Depois de tantas seleções, chega o momento em que somos selecionados à exclusão, ou seja, do mesmo jeito que um dia fomos convidados a estar aqui, seremos para nos retirarmos. Se é que a morte pode ser considerada um convite! Quando não, nos tornamos alvo dela, e quem for atingido primeiro será o eliminado desse jogo de escolha-escolha.
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criado por DIego Francisco
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